O PROBLEMA DO SENSO COMUM: SERÁ QUE FAZER O QUE A MAIORIA DOS CANDIDATOS FAZ SEMPRE É A MELHOR OPÇÃO?
Se você acompanha minhas postagens e vídeos publicados no YouTube, já deve ter percebido que ando na contramão das orientações apregoadas como regra por professores de cursos preparatórios, e que são galgadas na ideia de que para ser aprovado, você precisa reservar alguns anos da sua vida para (veja que contrassenso) deixar de viver. Se sustenta com veemência que o caminho para a provação é pedregoso, dolorido, e que você precisa abdicar da vida social e das diversões para ter o máximo possível de horas líquidas de estudo.
Eu defendo o equilíbrio, a flexibilidade e o respeito a si mesmo. O seu cérebro é um órgão do corpo que, como os demais, tem como grande missão manter você vivo. Para isso, ele trabalha vigilante e observando todo e qualquer comportamento que lhe cause uma sintomatologia negativa, e que possa te levar ao adoecimento. À menor suspeita, ele inicia um trabalho de autoproteção, ainda que isso signifique, em um aspecto puramente racional, trabalhar contra o próprio candidato, de forma a fazer com que ele progressivamente se sinta desestimulado de estudar.
Não é isso o que também vemos como regra em virtude das orientações padronizadas voltadas ao estudo obcecado? O candidato inicia a sua preparação animado, mas a cada mês vai nutrindo na mente com gotas de falta de sabedoria, pois em meio às reprovações recheadas por privações sociais, vai se sentindo cada vez mais angustiado, triste e frustrado. Ele acaba construído a ideia avessa de que para ser feliz é preciso realizar certos objetivos, quando na verdade o que faz sentido para a mente é o oposto: ser feliz agora para haver otimismo e energia para a realização dos sonhos. Em que grupo você se encontra?
Ao cultuar a tristeza como uma erva daninha no seu jardim da mente, seu cérebro não consegue compreender a razão do seu esforço. Emocionalmente ele compreende que essa atitude torna você infeliz, e por isso ele passa a ser seu forte aliado no sentido de te desestimular de continuar estudando. Lembre-se, ele que ajudar você a viver. Surgem então os momentos de sabotagem, de oscilação nos estudos, da vontade de desistir cada vez maior. Tudo porque o candidato não consegue perceber que se ele estudar menos horas líquidas por dia, ele terá mais horas de estudo de qualidade para contabilizar.
É aqui que fazemos um entrelaçamento de toda essa narrativa com a psicologia do senso comum. De acordo com Ana Bock, Odair Furtado e Maria de Lourdes Teixeira, ela é utilizada por todos nós no cotidiano. O senso comum nada mais é do que o conhecimento da realidade, uma visão de mundo baseada em uma visão mais precária do conhecimento humano.
Todos nós entendemos um pouco de tudo, mesmo sem sermos filósofos, professores ou profissionais de todas as áreas. As pessoas, em geral, têm a sua psicologia para saber vender produtos de maneira hábil, ou para serem boas ouvintes ou opinantes. Uma dona de casa, por exemplo, sabe sem muito esforço o tempo que uma garrafa térmica consegue manter um café em temperatura adequada para ser bebida. Já um pedestre, ao atravessar a rua, consegue deduzir a velocidade que precisa imprimir para atravessar uma rua sem que colida com carros que vêm vindo. Você, talvez, já tenha tomado chá de camomila por ouvir dizer que ele acalma e te leva a ficar mais tranquilo.
Ninguém faz cálculos matemáticos complicados, ou pesquisa as propriedades da folha de camomila ou as capacidades térmicas de uma garrafa de café antes de tomar decisões importantes nas situações acima apontadas. O processo é automático, superficial, fruto de um aprendizado informal e velado que muitas vezes é passado de pai para filho, em relações intergeracionais. Agimos com base em atalhos porque precisamos disso para sermos mentalmente saudáveis.
Aqui vem então minha grande dica para você: Comece a observar tudo aquilo que você faz no automático. Observe quais são os comportamentos que você tem, e eles são frutos de uma visão mais generalista do processo. O senso comum tem como um grande material construtor de convicção simplificada um número expressivo de pessoas que os repetem. É o velho ditado que ecoa dentro de você: Se a maioria faz isso é porque deve ser o melhor a ser feito.
Nem sempre o é. Pelo menos o senso comum gerado pelas diretrizes simplificadas de preparação para provas e concursos não ajuda o candidato a se manter emocionalmente bem, abalando, por consequência, a sua autoestima e autoconfiança cada dia mais. É hora de rever passos, compreender que as aprovações hoje são a exceção também muito em razão da massificação de ideias errôneas sobre o que é aprender.
O processo de aprendizado para provas de concurso pode e deve ser positivo, prazeroso e edificador. É possível cultivar a satisfação pessoal e a felicidade enquanto você progride em meio às reprovações e é por isso que hoje reitero com você posturas importantes que deve adotar como praxe em sua rotina. Torço que a sua reiteração delas se torne a sua visão de realidade, para que alcance mais rapidamente a sua aprovação. Então vamos lá.
A semana tem sete dias, e nesse período, é importante que você tenha um período diário reservado aos estudos. Mas é igualmente importante que você preencha a sua agenda com momentos reservados para lazer, prática de hobbies, cuidados com seu corpo através de boa alimentação e prática constante de atividades físicas, dedicação de tempo com sua família e amigos, e para trabalhar a sua espiritualidade. O ideal é, que ao fechar a semana, você tenha conseguido dar um pouco de atenção a todas essas áreas. Se elas crescem juntas, sua mente vê sentido nos seus estudos, e isso eleva seus níveis de dopamina, serotonina e testosterona. Consequentemente cai o seu cortisol, e junto os riscos de obesidade, pressão alta, stress e ansiedade.
E veja: você não precisa ser um conhecedor profundo de tudo o que expliquei aqui. Simplesmente ponha em prática, aceitando essas assertivas como verdades prontas, da mesma forma que você faz quando lhe dizem para se trancar em uma sala de estudos e vegetar em frente a uma mesa doze horas por dia. Ao seguir minhas dicas, você está trilhando o lado bom da força, seu coração pulsará de alegria e de otimismo, fortalecendo a sua autoconfiança para as próximas provas. Palavra de quem já passou por isso!
Até a próxima!
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